Da fazenda à xícara, sem frescura.

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O GRÃO DE HOJE

Robusta Amazônico das Matas de Rondônia (RO)

A canéfora clonal de notas de chocolate e corpo pesado.

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Grãos torrados de robusta ao lado de uma prensa francesa sobre madeira escura, com folhagem da floresta amazônica desfocada ao fundo

Por décadas o robusta carregou fama de primo pobre do arábica, coisa de blend de mercado. Aí os produtores de Rondônia resolveram tratar a canéfora com capricho de café especial, e o grão respondeu com pódio.

A gente foi até a Zona da Mata de Rondônia atrás de um café que cresce onde o manual manda não plantar café fino: o Robusta Amazônico, canéfora clonal de baixa altitude criada no calor da Amazônia.

É o grão da primeira Indicação Geográfica de canéfora do Brasil, com chocolate no aroma e um corpo pesado que pede prensa francesa de proporção mais aberta.

I · O GRÃO DO DIA

A canéfora clonal que conquistou a primeira IG do Brasil

Robusta Amazônico é o nome que os produtores de Rondônia deram à sua canéfora fina: híbridos naturais de robusta com conilon, as duas variedades botânicas da espécie, multiplicados por estaquia em lavouras clonais.

Clonal quer dizer que cada planta é uma cópia genética de uma matriz escolhida a dedo. O produtor marca as plantas de melhor xícara e multiplica só elas, e a lavoura vira um time de clones selecionados pelo sabor, não uma loteria de sementes.

Na Zona da Mata de Rondônia, no entorno de Cacoal, esse trabalho rendeu em 2021 o reconhecimento do INPI: a Denominação de Origem Matas de Rondônia, primeira Indicação Geográfica de café canéfora do país.

E o cenário desafia tudo o que se prega sobre café especial. Nada de montanha: a lavoura cresce na Amazônia, em altitudes na casa dos 200 a 300 metros, sob calor e umidade o ano inteiro. A qualidade não vem da altitude, vem do clone certo, da colheita madura e da secagem caprichada.

O resultado engana provador desatento. Servido às cegas, o Robusta Amazônico carrega um corpo e uma doçura que ninguém espera de um robusta.

Na boca, ele entrega chocolate amargo, castanhas e um fundo de especiarias, com corpo pesado, baixa acidez e uma doçura que segura o gole. É um café de presença, feito pra quem acha arábica delicado demais.

Robusta Amazônico das Matas de Rondônia: Notas de chocolate amargo, castanhas e especiarias, com corpo pesado e baixa acidez. A canéfora clonal de baixa altitude que virou a primeira IG do tipo no Brasil.

Faixa de preço dos 250g: R$ 32 a R$ 48. Bem abaixo dos arábicas premiados, uma porta de entrada honesta pro mundo da canéfora fina.

 
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II · COMO PREPARAR

Prensa francesa, proporção mais aberta pra domar a intensidade

Robusta carrega quase o dobro da cafeína do arábica e mais sólidos solúveis, então extrai forte e rápido. O método escolhido foi a prensa francesa, imersão total que abraça o corpo pesado do grão em vez de filtrá-lo pra fora.

O truque está na proporção mais aberta: em vez do clássico 1 pra 15 da prensa, a receita usa 1 pra 17. Mais água pra mesma dose doma a intensidade sem aguar a bebida, porque a imersão extrai por igual do começo ao fim.

A receita na prensa francesa

Café15g
Água255ml (proporção 1 pra 17)
Moagemgrossa
Temperatura90°C
Crostaquebrar aos 4 min
Tempo total5 min

No passo a passo: aqueça a prensa com água quente e descarte. Coloque o café moído grosso, despeje os 255ml de água a 90°C de uma vez e tampe sem descer o êmbolo. Água um pouco mais fria segura o amargor, que no robusta aparece cedo.

Aos 4 minutos, quebre a crosta com uma colher, retire a espuma da superfície e desça o êmbolo devagar, sem forçar. Sirva na hora: café parado na prensa continua extraindo e passa do ponto.

Prove a xícara morna, por volta de 55°C. É a temperatura em que o chocolate amargo abre caminho pras castanhas, com a doçura aparecendo no fim do gole.

Deixe esfriar mais um pouco e repare: o corpo segue pesado e a bebida não azeda. Baixa acidez é a assinatura da canéfora colhida madura.

Prensa francesa →
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III · O DETALHE

Os Paiter Suruí levaram o robusta ao pódio do Coffee of the Year

O capítulo mais bonito dessa lavoura vem da Terra Indígena Sete de Setembro, perto de Cacoal.

Ali os produtores Paiter Suruí cultivam canéfora à sombra de castanheiras e árvores nativas, dentro da floresta em pé. Café de sub-bosque, colhido no maduro, seco com a paciência de quem não corre atrás de volume.

Em 2019, o café dos Paiter Suruí venceu a categoria canéfora do Coffee of the Year, na Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte. Um robusta indígena da Amazônia no lugar mais alto do pódio, na frente dos conilons tradicionais.

E tem um detalhe que muda tudo na xícara: a colheita seletiva. Canéfora aceita ser colhida verde, a granel, e é dessa pressa que nasce o robusta amargo de blend barato. Quando só a cereja madura entra no saco, o mesmo grão revela chocolate, doçura e corpo limpo.

Daí o peso da IG Matas de Rondônia: ela premia o capricho, não a espécie. O robusta não virou fino por decreto, virou fino porque os produtores passaram a tratá-lo como café de verdade.

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“O café bourbon rosa prova a quem quer que desconfie que o café é uma fruta especial”

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“2 coisas: informações sobre um microlote e o processo de filtragem do origami”

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“Método de secagem Honey e o fato da temperatura da água transformar o doce em amrgor.”

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Na receita de prensa francesa da edição, qual proporção de café para água foi usada pra domar a intensidade do Robusta Amazônico?

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B1 para 15
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Bom cafe. In cafea veritas.

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